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A FUNDAÇÃO DA SOCIEDADE TIRO MARANHENSE - TIRO DE GUERRA Nº 47
11/05/2015
figura

No Brasil, o tiro de guerra remonta à primeira década do século passado. Após a implantação da república, o serviço militar obrigatório alcançou famílias de maior renda que não desejavam afastar seus filhos dos estudos. Em 1906, foi criada a CONFEDERAÇÃO DO TIRO BRASILEIRO, pelo Marechal Hermes da Fonseca, reunindo o Tiro Nacional, do Rio de Janeiro e sociedades de tiro ao alvo que existiam no sul da País, criadas por imigrantes europeus. Além dos subsídios financeiros, a confederação organizaria tais sociedades, e isentaria os civis que dela participassem com prestação de apenas metade do tempo do serviço militar obrigatório.

Para conhecer melhor a história do tiro de guerra no Brasil, recomendo dois trabalhos: a tese de Doutorado de Selma Lúcia de Moura Gonzalez (USP/São Paulo-2008) e o livro A História do Tiro ao Alvo, do Coronel Eduardo Fernandes Ferreira, que avalia a relevância da CTB no história do tiro brasileiro: “Para se ter uma ideia da importância da Confederação Brasileira de Tiro, em toda a sua existência reuniu cerca de 127 sociedades (clubes) e filiou mais de 20.000 ‘atiradores’, nome dado aos associados, prestando inestimáveis serviços à Pátria.”

A primeira notícia que se tem sobre a fundação do tiro de guerra no Maranhão, nos moldes propostos pela CTB, trata da criação da Sociedade Tiro Maranhense (Tiro 47), noticiada em 24 de março de 1909, quando a Pacotilha trouxe uma pequena e entusiasmada nota sobre as inscrições para o tiro de guerra:

“Já se acham inscritos para a fundação da Sociedade de Tiro Maranhense setenta nomes da mais fina flor desta capital.

Achamos a ideia da fundação de tal sociedade de grande utilidade, já por constituir um agradável esporte e isentar seus sócios do serviço militar nas fileiras do exército, já por terem uma boa ocasião de se adestrar no manejo das modernas armas de guerra e, bem assim, nos manejos de espada e florete, tão introduzidos nos centros adiantados.”

Dois dias depois, o periódico anunciava a escolha “do lugar denominado João Paulo” para a instalação da linha de tiro do 48º Batalhão de Caçadores e da Sociedade de Tiro Maranhense. Em 3 de abril, o Diário do Maranhão noticiava que, até aquele momento, já haviam sido registradas cento e vinte inscrições na sociedade. Conforme Relatório, quando da sua incorporação à Confederação de Tiro Brazileiro, o Tiro 47 já contava com duzentos associados.

Em 7 de abril de 1909, obedecendo convocação publicada nos principais jornais de São Luís, todos os inscritos para a fundação da sociedade “se reuniram na Escola Pública da Rua do Sol, esquina com a Rua das Flores”, para deliberar sobre a solenidade de fundação do Tiro Maranhense, marcada para 11 de abril daquele ano.

O Diário do Maranhão assim noticiou a solenidade de fundação, ocasião na qual, durante assembleia geral, ocorreu a formação da diretoria provisória: “A festa, com que esta útil sociedade deu, ontem, compromisso aos seus funcionários da assembleia geral, da diretoria e comissão de contas, revestiu-se de máxima imponência.”

No salão nobre da Câmara Municipal, Alcides Pereira, ilustre advogado da capital, declarou aberta a sessão, com a leitura da ata da Assembleia Geral e um ofício do general de brigada Rodrigues de Campos, inspetor da 1ª.Região Militar. Convidado a assumir a posto, o general proferiu um caloroso discurso (que publicaremos, na íntegra, nos próximos artigos), arrancando aplausos do auditório, antes de passar a presidência da sessão ao Coronel Collares Moreira, presidente honorário da sociedade:

“Em um país como o nosso, que bem cedo proclamou-se independente, repelindo a tutela da Mãe Pátria; eliminou a escravidão de seu seio, acabou com os privilégios da família; que, finalmente, resolveu governar-se por si mesmo, livremente, estabelecendo a igualdade política e a liberdade do voto; serviço militar obrigatório e pessoal se impõe como um corolário político.”

Em seguida, o intelectual Antônio Lobo, escolhido como orador, proferiu um longo e belo discurso. “Foi servido champanhe aos convidados, enquanto na porta do edifício tocavam as bandas de música do 48º. Batalhão de Caçadores e do Corpo de Infantaria Estadual”, afirmava O Diário. O professor Alexandre Rayol ofereceu à sociedade um hino de sua composição, denominado “Tiro Maranhense”, executado pela banda do 48º. Batalhão.

Uma comissão de gentis damas da sociedade ofereceu ao tiro de guerra uma bandeira nacional, ricamente trabalhada em seda. Fizeram parte do grupo as senhoras Leonete Oliveira, Laura Rosa, Filomena Melo, Mariana Marques, Nisa Araújo, Joana Marques, Henedina Silva e Naisa Silva.

A sede da sociedade foi instalada numa chácara à Rua Grande, n. 251, local das sessões ordinárias, sempre às quartas-feiras, 19 horas. Em 10 de maio, a diretoria recebeu regulamento e modelo de uniforme, enviados pela Confederação do Tiro Brasileiro, que reunia todas as sociedades existentes, todas subordinadas ao Exército. Em 20 de junho o Tiro Maranhense elegeria, em assembleia geral, os membros do Conselho Diretor e Comissão de Contas, até o 31 de dezembro de 1909, quando nova eleição seria realizada para os quadros diretivos. Foram eleitos os seguintes membros:

Presidente: Capitão Gilberto Frazão Gonçalves.

Vice-presidente: João Victor Pereira Neto.

Tesoureiro: Capitão Antonio Soares da Silva.

Vogaes: Francisco Melo Pinheiro, Capitão Benedito F. B. de Vasconcellos, José Barreiros Coelho, Hegesippo F. da Costa e Pedro Mendes.

Comissão de Contas: tenente-coronel João José Lentini, major Francisco Ferreira Rabello e Capitão José Moreira de Almeida.

Na mesma sessão, foi escolhido o modelo para a bandeira da sociedade, conforme noticiou a Pacotilha do dia seguinte: “é esta de muito efeito, toda verde, com um quadrado branco, tendo no centro um alvo com duas carabinas cruzadas sobre este”.

Ainda no ano de sua fundação, a sociedade organizou as festividades de 7 de setembro, com programação variada: formatura da companhia, passeio militar pelas principais ruas da capital, exercícios de esgrima de baioneta, hasteamento do pavilhão nacional e conferências proferidas pelo capitão Antonio Alves Teixeira, professor Benjamin de Melo e Artur Castro, além de sarau musical, sob a direção do maestro Tancredo Martins.

A foto que inaugura este artigo é um dos raros registros do Tiro Maranhense, publicado na Revista da Semana, edição de 19 de setembro de 1909. Vê-se, trajando o uniforme brim cáqui, a equipe que participou das atividades comemorativas do 7 de setembro: sentado, o tenente Beltrão Castello Branco, (instrutor); de pé: B. Araujo, sócio fundador; H. Fonseca, secretário e J. B. Coelho, vogal.
por Dyego Marinho
Servidor Público Federal. Licenciado em História. Especialista em História do Brasil. Mestre em Cultura e Sociedade.
dyegomarinho@gmail.com
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