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COLUNAS DO TIRO
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RESPIRAÇÃO
14/05/2007
No nosso esporte, o fundamento respiração passa quase sempre despercebido dos atiradores. Talvez por se tratar de uma atividade natural do nosso organismo, é visto pela maioria como o fundamento de fácil execução.

Porém, devido à importância da adequada oxigenação do nosso organismo (e por conseguinte do SNC) na execução de qualquer ação motora, a desatenção à respiração ocasiona grandes prejuízos na performance dos atletas do tiro esportivo.

Sua relevância começa na preparação para o exercício e transcende às necessidades próprias da atividade de disparar, indo muito além da forma correta de respirar durante a execução do processo.

O nosso primeiro passo será aprender a técnica correta de respirar.

Em todos os livros sobre meditação ou concentração encontramos capítulos especiais sobre a importância da respiração na obtenção dos estados de relaxamento corporal e tranqüilidade psíquica. As técnicas ou habilidades para cultivar um “talento interior” baseiam-se primordialmente na “observação da respiração”.

Normalmente, respiramos utilizando a musculatura do peito, que além de transferir muito menos oxigênio para o organismo, provoca tensões musculares desnecessárias.

Para respirarmos corretamente, devemos inspirar e expirar pelo nariz, utilizando o diafragma, ou seja, os músculos do abdômen inferior, como um fole que infla e esvazia os pulmões, dando-nos a sensação de enchermos o nosso estômago de ar. Esse modo de respirar propicia uma maior oxigenação das paredes pulmonares, produzindo consequentemente uma melhor oxigenação do nosso organismo.

Ao chegarmos no estande, já na fase de preparação (alongamento e aquecimento), utilizamo-nos da respiração para criar o estado emocional ótimo. Observando-a, alcançamos gradativamente o estado adequado para a prática do tiro esportivo.

No posto de tiro, encontramos na respiração, o caminho adequado para manter-nos atentos à nossa lista de tarefas, impedindo que algum detalhe da sua organização seja esquecido.

Além disso, a manutenção da atenção nas ações de preparação do posto, nos permite afastar pensamentos impróprios, principalmente aqueles que minam a confiança na nossa capacidade de realizar.

Posto arrumado, o atleta passa a preparar o corpo e a mente para execução do “ritual” do disparo. Mais uma vez, a respiração é a base para manter o ritmo adequado e o estado de concentração necessários à conservação da atenção no presente.

Durante o disparo, após a inspiração inicial realizada ao erguer o braço, o atleta se desliga da respiração, dirigindo toda a sua atenção para o alinhamento da figura alça/massa. A partir desse momento, passa a respirar de forma laminar.

Assim, durante um largo período executando a respiração superficial, reduzimos progressivamente a qualidade da oxigenação do organismo. Essa prática, muito comum até em atletas experimentados, resulta numa insuficiência crônica de oxigênio no organismo, afetando as funções controladas pelo SNC, em especial a acuidade visual, a atenção, o tônus muscular, a manutenção do arco de movimento, o equilíbrio e a estabilidade da posição.

Não é difícil concluir que a baixa oxigenação do organismo prejudica de forma direta a performance do atleta de tiro esportivo.

Para não cair na sorrateira armadilha da insuficiência de oxigênio, antes de cada levantada do braço, deve-se produzir no mínimo dois ciclos de respiração abdominal. Essa prática, além de garantir a oxigenação, reproduz o estado de tranqüilidade e de concentração. Ao passar a atenção para o ciclo respiratório, o atleta descansa a mente, reduz o gasto de “energia mental” e evita o assédio de pensamentos indesejados.

Durante o processo de disparo propriamente dito, a respiração entra como um dos fundamentos, sendo executada em sincronia com o movimento da arma até a zona de visada. Ao levantarmos o braço, executamos uma inspiração. Ao iniciarmos a descida para a zona de visada (ou seja, o “repouso” da figura alinhada na zona de visada), expiramos lentamente e trancamos ou não a respiração ao atingi-la.

Cabe lembrar, que ao final da expiração, temos maior facilidade em manter a estabilidade e a imobilidade do conjunto arma/atirador, por ser um momento em que todo o corpo experimenta uma natural quietude. Além disso, a caixa torácica esvaziada, diminui para o resto do corpo, a transmissão dos movimentos de bombeamento executados pelo coração. Ao contrário, com os pulmões cheios, pode-se perceber o batimento cardíaco na ponta da arma.

A quantidade de ar que devemos manter nos pulmões não é relevante, e não deve ser uma preocupação do atleta. Ninguém melhor do que o nosso cérebro para calcular esse volume.

O importante é sabermos que após um determinado tempo, o organismo motivado pelo acúmulo de CO2 resultante das oxidações celulares, solicitará uma nova inspiração. O CO2 acumulado é trocado nos pulmões pelo O2 do ar inspirado, sendo em seguida eliminado pela expiração.

Podemos então concluir que o tempo ideal para execução do disparo é inferior ao tempo de saturação da taxa de CO2 do organismo do atleta.

Felizmente, antes de atingirmos o nível limite de CO2 , o SNC envia-nos uma informação de “tempo excedido” que deve ser imediatamente atendido com a suspensão do processo, ou seja, “refugando” o tiro. Esse alarme é sucedido pelo aumento do arco de movimento, pela desatenção à figura da massa/alça e pela perda da acuidade visual, impossibilitando a manutenção da imagem alinhada do aparelho de pontaria.

Como já mencionamos em artigos anteriores, o não atendimento ao alarme de “tempo excedido” é imediatamente contraposto pelo cérebro com a interrupção do acionamento, último recurso para impedir o desastre iminente.

Assim sendo, nas modalidades de precisão, o tempo ideal de disparo do atleta é regulado pela neuromecânica da respiração, e o não atendimento aos sinais fisiológicos do alarme é a principal causa dos impactos fora do agrupamento.

Na modalidade de Tiro Rápido, nas séries rápidas da Pistola Standard e no duelo do Fogo Central e da Pistola Sport, “refugar o disparo” não é possível. Nesses casos, a rotina preparatória deve incluir obrigatoriamente a prévia ventilação dos pulmões e o sincronismo da respiração com os movimentos que antecedem a abertura do alvo (ou o acender da luz verde). Porém, por serem efetuados em tempos curtos, os processos de disparo sempre terminarão antes da necessidade orgânica de uma recarga de oxigênio.

por Silvio Aguiar
Técnico da Seleção Brasileira de Tiro a Bala. Integrou a equipe brasileira de Pistola Livre e de Ar, de 1977 a 1987. Participou dos Jogos Olímpicos de Moscou e Los Angeles, Vice Campeão Pan Americano e recordista das FFAA de Fogo Central
silvio.aguiar@gmail.com
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