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TESTANDO! TESTANDO!
19/06/2007
Realizou-se de 28 de maio a 4 de junho de 2007 , a tradicionalíssima Copa Mundial de Munique, principal centro do Tiro Olímpico mundial e que recebe sempre e toda vez a maior quantidade de atiradores de todos os cantos do mundo.

E aproveitando este evento, alguns membros da equipe de carabina foram uns dias antes a fim de levar suas carabinas para o estande de Testes da RWS, e lá tentar encontrar a munição dos sonhos, que agrupasse perfeitamente nos canos de suas armas.

Expondo desta maneira, fica parecendo isto uma atividade corriqueira. Mas a realidade é bem outra...

Após anos e anos, explicando aos nossos dirigentes as necessidades inerentes ao tiro de carabina olímpica .22, muita vezes ouvidos com descaso e olhares oblíquos, a oportunidade surgida em razão da realização dos Jogos Panamericanos do Rio, incentivou os carabineiros a investirem nesta empreitada com toda a energia, uma vez que como foi levantado na Copa de Blumenau , em 2005, que nada adiantaria todo o investimento da CBTE em treinos e seletivas, se não fosse possível à equipe de carabina conseguir alguma munição testada para suas armas.

Então a oportunidade seria Munique. Aproveitando o conhecimento do pessoal de Santa Catarina, principalmente com o Oscar Schultz e o Gerhard Stamm, o “Gerd” falando alemão, consegui-se agendar a visita a RWS, onde teríamos à nossa disposição um engenheiro de testes e alguns lotes para experimentar.

Já na viajem de ida um contratempo. A caixa com as carabinas do Aliseu Farias, de Santa Catarina sumiu e a coronha da Anschutz 2213 do Mauro Salles, de Minas Gerais, quebrou-se durante a viagem.

Chegamos em Munique na véspera do dia do Teste e infelizmente a caixa do Aliseu não apareceu. (Só na volta ao Brasil...) Fomos então para a cidade de Furth, onde fica a fábrica da RWS.

A van era dirigida pelo nosso “guia”, o Otto, amigo das antigas do Gerd e que nos conduziu pela “autobahn” a 180 km/h até Furth, numa van Opel , quadradona e com oito pessoas dentro...

Víamos uns Mercedes e Audis que passavam por nós como se estivéssemos parados, o que disfarçava um pouco a velocidade com que viajamos. Mas as “autobahns” são espetaculares mesmo. Tapetes de asfalto, feitos sob medida para indústria automobilística alemã mostrar seu poder.

Depois de cerca de uma hora e meia de viajem, chegamos então no “Testschiessstand”.

Num belo terreno, onde havia um grande gramado com alvos para Tiro com Arco, cercado por pinheiros e com um quadrado de concreto no meio para um heliponto, a instalação não poderia ser mais simples. Uma casinha, com um escritório e uma “oficina” onde ficava a bancada de testes e no seu prolongamento, um túnel fechado de 50 metros, com cerca de 2,50m da altura por 6,00 de largura. Na bancada, três grandes morsas para fixar carabinas pelo cano e uma estativa para fixar armas pela coronha, mas que estava preparada para carabinas de ar, tendo inclusive um medidor de velocidade à frente.

Uma das morsas, também tinha um medidor de velocidade e para finalizar, os três conjuntos de morsas tinham acima delas um sistema de transporte mecânico para os alvos, que “corriam” sob um trilho até os 50 metros.

O engenheiro então pediu para começar e entregamos nossos canos às provas...

Os canos foram fixados na morsas, ladeados por duas placas de chumbo, para “acomodar” firmemente o cano e não danifica-lo. As morsas eram pré-apertadas para conferir se os tiros estavam pegando no alvo-teste e depois muito bem apertadas por uma manivela que era estrondosamente martelada pelo engenheiro até travar pra valer o conjunto.

Os testes consistiam em selecionar um lote e fazer duas ou três séries de dez disparos, movendo a cada dez tiros a folha de teste. Terminado o lote, pegava-se uma caneta e anotava-se na folha o número correspondente, passando assim para o próximo lote e assim por diante. Ver aquele “carrinho” cheio de caixas de munição .22 em diversos lotes era quase uma situação surrealista e um verdadeiro banho de “olha-a-estrutura-que-temos”...

Todos testaram uma média de dez lotes e os resultados, segundo o engenheiro, foram satisfatórios para as carabinas. De minha parte fiquei meio desconfiado... nossos grupos apresentaram pra os lotes escolhidos, uma média de 15mm por grupamento de dez tiros, medidos externamente com um gabarito de círculos. O menor grupo individualmente foi de 12mm. Ficava a questão: Quanto agrupam as carabinas dos campeões Alemães? Acho que isso é um segredo... mas sabemos que devem uma média de 11 a 12mm, o que faz muita diferença no final...ou na final...

Após o teste ficamos sabendo que por questões de licenças e regulamentos, só poderíamos levar uma quantidade ínfima de munição. Tanto investimento para mais um desapontamento. Mas esperamos que este tenha sido um teste pioneiro e que a CBTE passe a considerar isto como parte da preparação da carabina e possa trabalhar juntos aos órgãos esportivos, exército e receita para podermos fazer testes periodicamente e poder importar a munição testada em quantidades que permitam que os atiradores possam competir e até treinar com toda a confiança possível.

Após o teste, o Sr Thomas, o engenheiro da RWS nos convidou para almoçar no refeitório da fábrica, onde ficamos perturbando ele com toda a sorte de perguntas sobre munição, manutenção e limpeza das armas e etc. as quais respondia sempre atencioso.

Testar munição por si só, não é garantia de sucesso, ou as grandes potências do Tiro sempre estariam “empatadas”. De um certo modo estão...possuem a garantia de que tem o melhor equipamento possível e podem se dedicar melhor a desenvolver seus atletas. Com absoluta confiança no conjunto arma-munição, o atirador pode mais precisamente identificar seus erros e ter toda a confiança em sua técnica.

Para nós, ficou a sensação de tempo perdido neste anos todos que se passaram. Em 26 anos que estou no tiro olímpico fui fazer isto pela PRIMEIRA vez. Adquirir confiança na própria técnica é um processo longo e laborioso e que sempre ficou comprometido por falta deste item nas “prerrogativas” do tiro de carabina. Esperamos que as novas gerações do Tiro, consigam “avançar” mais este passo na busca por mais desenvolvimento no esporte.

Não posso deixar de encerrar este artigo dando os mais efusivos parabéns pro Stênio Yamamoto. Medalha de Prata e cota place conquistadas no centro mundial do Tiro Olímpico, na prova de Pistola Livre.

Um marco para o Tiro Brasileiro. As vésperas do Pan, certamente uma grande motivação para toda a equipe e uma mostra para os “descrentes” que temos atletas que enchem de orgulho os seus pares e que vestem a camisa do BRASIL.
por Fábio Coelho
Fabio Coelho é praticante do Tiro Olímpico de Carabina desde 1981. Foi membro da equipe brasileira de 1985 a 2008 tendo participado de várias competições internacionais com destaque para a inédita medalha de bronze na Carabina de Ar, conquistada nos Jogos Panamericanos de Santo Domingo, República Dominicana em 2003.
fcoelho@ig.com.br
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