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30 ANOS DE TIRO!
05/05/2011
Caros leitores, se me permitem, teço este relato de caráter mais pessoal:

No dia 10 de Maio de 1981, aos 14 anos de idade, participei da minha primeira prova de Tiro Olímpico, de Pistola de Ar, atirando com uma Fein65, no estande de tiro do Flamengo. Neste mesmo ano comecei a treinar com Carabina de Ar e no ano seguinte com Carabina Três Posições. O estande do Flamengo foi demolido em 1992 pela ganância de dirigentes.

Considero em 10 de maio de 2011, meus 30 anos de Tiro Olímpico.

É bastante tempo. Olhando para trás, vejo quanta energia empregada, quantas horas de treino, quantas competições, quanto dinheiro, quanta dedicação e sacrifício foram dispensados pelo amor ao esporte e no qual humildemente penso ter feito alguma coisa importante e que me enche de orgulho pelo esforço legítimo em me aprimorar ao longo de tantos anos.

Hoje vejo como minha “geração” foi mal conduzida, amadoramente conduzida e mesmo assim,conseguimos nos manter razoavelmente competitivos dentro que nos era possível fazer e ter a oportunidade de competir por nossos clubes, estados e principalmente pelo Brasil.

Desde 1981 houve 7 Jogos Olímpicos e o Brasil enviou ao todo somente nove atiradores entre Carabina (2), Pistola (4) e Prato (3) se minha memória não falha. Na carabina, nossos últimos representantes participaram nos Jogos de Los Angeles em 1984, antes de ser criado o sistema de cota places. Até 1999 os Jogos Panamericanos davam duas vagas na Carabina de Ar. Em 2003, diminuíram para uma vaga apenas e não fosse isto eu poderia ter tido minha experiência olímpica em função de minha classificação. Coisas do esporte.

Mesmo passados trinta anos, eu escrevi “ t-r-i-n-t-a a-n-o-s”, Não escondo a frustração em continuar testemunhando a falta de uma política séria, continuada e eficaz para a prática do Tiro Olímpico, principalmente no que tange a legislação para aquisição de munição de competição e de armas pacíficas para uso esportivo. Quase me envergonho hoje ao tentar explicar a um iniciante como ele faz para começar a praticar o Tiro Olímpico e ele me pergunta como comprar munição boa...E passei trinta anos... TRINTA ANOS, sem ver isto acontecer.

Para ilustrar, mesmo com a realização dos Jogos Panamericanos no Rio de Janeiro em 2007, absolutamente nada avançou teste tópico e a munição que (numa raro acontecimento) foi importada (paga do meu bolso) para este evento que valia vaga para os Jogos Olímpicos, chegou nas minhas mãos um ano depois...

Do que sei para o Pan de 2011, nem importação foi feita. Pelo menos os Militares tem munição mas os poucos civis que disputam vagas na equipe nacional precisam ter muito dinheiro para viajar e comprar lá fora umas poucas caixas. Em comunicado recente da CBTE, o Exército Brasileiro mantém sua política míope em relação ao esporte olímpico, mais uma vez mantendo restrições à importação de munição sob alegação de “proteger” nossa indústria. A continuar assim, será o futuro do Tiro Olímpico privilégio apenas do meio militar ou dos ricos?

Por óbvio, o esporte do Tiro em alto nível precisa necessariamente de armas e munições de alto nível e em quantidades de alto nível. Enquanto a importação de munição for uma “caixa-preta” nas mãos de interesses outros e excessivos entraves legais que nunca foram capazes de dar tratamento diferenciado ao esporte e privilégio de ricos , nunca teremos uma verdadeira evolução do Tiro Esportivo que estará sempre nas mãos de uma elite onde a falta de concorrência sempre vai misturar esportistas com oportunistas.

Com a conquista do Brasil da sede do Jogos Olímpicos de 2016 e a Realização dos Jogos Mundiais Militares de 2011, finalmente noto algumas ações firmes e vejo que bons resultados estão acontecendo. Hoje temos uns poucos técnicos profissionais tentando dar mais qualidade ao nosso Tiro. Mas ainda falta muito que avançar no acesso ao esporte e seus insumos.

Vejo realmente os resultados subirem nestes últimos anos, graças ao investimento em técnicos e principalmente nos atiradores militares, que agora desfrutam de uma boa estrutura e concessão de tempo para treinarem e se aprimorarem. Só espero que isto não seja apenas uma “bolha” que vai estourar e sumir após os Jogos Militares ou as Olimpíadas de 2016.

E não basta só ter estrutura. É preciso que existam homens e mulheres realmente com garra e comprometidos em se dedicar e felizmente temos visto vários excelentes valores abraçarem esta causa. Parabéns a todos. Os atletas dedicados sempre merecem todo o nosso respeito e reconhecimento.

Já quanto a “cartolagem...”, desculpem o termo pejorativo, não duvido que existiram e existem pessoas igualmente comprometidas em fazer evoluir o Tiro Olímpico, mas infelizmente nestes trinta anos, vi, convivi e fui prejudicado assim como vários outros atletas, pelos muitos arbítrios de dirigentes. No esporte amador é mais difícil perdoar a injustiça.

Nestes anos, sempre fui mais um crítico do que entendia como incorreto nos rumos do Tiro Olímpico e exerci meu direito de livre manifestação. (Técnicos gabaritados...Finais valendo para as Seletivas...entre outros) Penso que sempre agi com espírito coletivo e procurando ajudar com sugestões. Infelizmente, por natureza própria, não tenho vocação política e peço desculpas por não assumir cargos ou posições administrativas, sofrendo com a máxima do “falar é fácil, difícil é fazer” com a qual concordo mas meu lado egoísta invariavelmente me puxa para o que realmente gosto de fazer que é atirar. Bastante cômodo isto diriam alguns. É verdade. Entretanto sempre terei um olhar e espero ter a voz para o que considero errado ou injusto.

Todavia quem convive comigo nas linhas de Tiro sempre me vê disposto a ajudar no que tenho de mais “expertise” ou seja, a parte técnica e de treinamento, o que é extremamente gratificante ao poder compartilhar algo que eventualmente possa ter experimentado ao longo dos anos.

Portanto, aos dirigentes “do bem”, realmente comprometidos com o esporte, a todos os atiradores que conhecem a verdadeira devoção ao que significa praticar o Tiro Olímpico, aos “técnicos” que tive a sorte de ter por perto como Alberto Braga e Silvino Ferreira, fundamentais ao meu aprendizado, aos companheiros de equipe e amigos do Tiro, à minha família, a todos os que me deram força e estiveram comigo nos momentos mais difíceis, em algumas decepções e nas grandes alegrias vividas e ainda por viver pelo simples prazer que sempre cultivei em praticar o esporte que abracei, agradeço muito o apoio e as oportunidades e espero poder continuar a compartilhar com todos os amigos, de muitos anos ainda nas linhas de tiro.

Este tom algo tristonho é fruto irrefreável dos rumos que vida nos impõe, um certo inconformismo de ver tanto tempo passado com pouca evolução efetiva do esporte no Brasil e em não poder estar competindo como antigamente e tentar dar algum trabalho pros “adversários”. Mas alguém já escreveu que o segredo da felicidade é aproveitar a caminhada, independente do seu destino.
por Fábio Coelho
Fabio Coelho é praticante do Tiro Olímpico de Carabina desde 1981. Foi membro da equipe brasileira de 1985 a 2008 tendo participado de várias competições internacionais com destaque para a inédita medalha de bronze na Carabina de Ar, conquistada nos Jogos Panamericanos de Santo Domingo, República Dominicana em 2003.
fcoelho@ig.com.br
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