logo federação
43 ANOS
logo federação
Principal Estatuto Disciplinar Rel. Anual Diretoria História Contato Localização
Notícias Fotos Vídeos Mídias Colunas Biblioteca
Enquetes Eventos Galeria de Honra Fundo do Baú Publicações
Atletas Clubes Regulamentos Calendário Resultados Campeonato Recordes
FUNDO DO BAÚ
voltar ao menu
1948 - JOGOS OLÍMPICOS DE LONDRES
1. Fundação da CBTA

Em dezembro último, apresentamos um artigo mostrando a acirrada e complicada luta vivida pela fundação e sobrevivência da Confederação Brasileira de Tiro ao Alvo (CBTA). Não foi nada fácil para se tornar uma entidade autônoma e seguir conduzindo os destinos do Tiro Esportivo brasileiro, interrompidos com a extinção repentina da Federação Brasileira de Tiro (FBT) e a criação da Confederação Brasileira de Caça e Tiro (CBCT), em 08 de julho de 1942.

Durante seis anos, período em que o Tiro esportivo esteve subordinado à Confederação Brasileira de Caça e Tiro (CBCT), os atiradores da bala passaram por momentos de constrangimentos, sendo discriminados e sofrendo humilhações causadas pelos dirigentes da Caça. Dirigentes esses, que não estavam comprometidos com a evolução do Tiro Esportivo e não possuíam conhecimento técnico e espírito desportivo.

Sem dúvida foi uma fase negra e de atraso na história do Tiro, quase provocando o desaparecimento do esporte olímpico. Como comprovação, não encontramos registros sobre competições do tiro à bala no período assinalado. Simplesmente o Coronel Américo Braga, Presidente da entidade, omitiu, intencionalmente ou não, a inclusão de provas de tiro à bala em seu calendário. A CBCT somente se preocupou em programar e dirigir provas de prato e atividades de caça, esquecendo o fato de que o Tiro brasileiro somente era conhecido e respeitado, graças à brilhante atuação dos atiradores nos Jogos Olímpicos de Antuérpia em 1920.

Talvez movidos por despeito ou por inveja à pessoa e à liderança evidente do Ministro Afrânio Antônio da Costa, que apesar do seu aspecto circunspeto e sisudo, era, no entanto, muito respeitado pelas autoridades desportivas e por pessoas influentes do governo, os dirigentes da CBCT não conseguiram estabelecer uma projeção e desenvolvimento do Tiro. Na realidade, não estavam à altura do cargo e não se mostraram capacitados para dirigir o Tiro Esportivo Nacional, criando, dessa forma, uma forte animosidade entre os atiradores e os caçadores.

O resultado não poderia ser outro, o Tiro acabou se dividindo em duas entidades distintas, com a CBCT realizando provas sem interesse e com poucos participantes no seu estande, situado no antigo Morro do Castelo, desmontado anos mais tarde. No entanto, a CBCT permaneceu com todo o acervo histórico, troféus, móveis, arquivos e recursos da extinta Federação Brasileira de Tiro (FBT).

Dessa cizânia, nasceu o movimento para a fundação da Confederação Brasileira de Tiro ao Alvo (CBTA), realizada em 28 de novembro de 1947, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), contando com a adesão de quatro federações fundadas em seus Estados e no Distrito Federal: Federação Metropolitana, a Paulista, Mineira e Gaúcha de Tiro ao Alvo. As provas da UIT de carabina e de pistola voltaram a ser programadas, os campeonatos estaduais foram reativados, além do retorno dos campeonatos brasileiros, a partir de 1948.

2. Tiro Brasileiro Nas Olimpíadas

Ao se aproximarem os Jogos Olímpicos de Londres, novamente os ânimos entre as duas entidades se esquentaram, com a disputa para ver qual delas poderia inscrever seus atletas nos Jogos. Mais uma vez, a figura do Ministro Afrânio, Presidente da CBTA, foi decisiva. Por intermédio do seu passado esportivo, como atleta e dirigente, e por sua grande influência e conhecimentos no mundo esportivo nacional, os membros do Comitê Olímpico Brasileiro decidiram que o Tiro esportivo era o único e legítimo representante do esporte olímpico. A decisão do COB foi óbvia e coerente. Os atletas seriam aqueles selecionados pela CBTA e não pela CBCT.

A CBCT decidiu partir para a justiça comum. Em edição de 22 de julho de 1948, o Globo publicou a seguinte manchete: “Impedida a Confederação Brasileira de Caça e Tiro de enviar seus representantes à XIV Olimpíada de Londres”.

“Mandado de segurança impetrado contra o Comitê Olímpico Brasileiro no juízo da 1ª Vara da Fazenda Pública”:

Deu entrada, ontem, no Juízo da Primeira Vara da Fazenda Pública, impetrado pela Confederação Brasileira de Caça e Tiro, contra o Comitê Olímpico Brasileiro, relativamente à nossa representação de tiro na 14ª. Olimpíada, a realizar-se em 02 de agosto próximo, em Londres, Inglaterra. Alega a impetrante que preparou os seus atiradores com o fim exclusivo de enviá-los ao concurso internacional das Olimpíadas, preparo esse realizado em Porto Alegre, e que, com estranheza, recebera um ofício do Comitê Olímpico Brasileiro em que informa estar a Confederação impedida de tomar conhecimento dos resultados alcançados pelos seus componentes.

“Resulta daí, acrescenta, que a Confederação não poderá enviar à Inglaterra os seus atiradores para aquele concurso, resolução tão arbitrária quanto ilegal, pois o ato mal comparando, equivale a pedir um aluno de medicina que pratique uma operação cirúrgica em preterição de um cirurgião autorizado ao exercício de sua profissão, por todos os meios legais.

Conclui a impetrante, afirmando que é um absurdo o ato do Comitê Olímpico, o que vale a dizer o mais grave atentado que se pode fazer ao direito da Confederação na representação do Brasil à 14ª. Olimpíada de Londres. A petição será encaminhada hoje ao juiz Sr Elmano Cruz para os fins de direitos”.

O Jornal “Correio da Manhã”, de 23 de julho de 1948, publicou a decisão que possibilitou a participação dos atiradores brasileiros nos Jogos Olímpicos de Londres:

O Dr. Elmano Cruz, juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública, proferiu ontem longo e fundamentado despacho na inicial de mandado de segurança requerida pela Confederação Brasileira de Caça e Tiro e na qual essa entidade pretendia impedir a participação dos atiradores brasileiros nas Olimpíadas de Londres.

Negando o embargo ao comparecimento do Tiro, entre muitas considerações disse o Juiz Elmano Cruz:

“Prima fade não se apresenta o pedido revestido dos elementos imprescindíveis à concessão da drástica medida liminar da suspensão do ato inquinado de vicioso ou ilegal.

No caso em tela é público e notório que a delegação brasileira, credenciada pelo Comitê Olímpico Brasileiro, já se ausentou do país, e não seria crível supor que o tivesse feito desautorizada pelo Conselho Nacional de Desportos. Há pelo menos uma presunção júris tantum dessa autorização, o que vale a dizer, da legitimidade (vista pelo prisma administrativo) da constituição da delegação”.

“Tanto bastaria para justificar a não concessão da medida liminar, medida violenta e só admissível quando realmente líquido e certo se apresentar o direito do impetrante, podendo resultar da não concessão da medida lesão grave e irreparável de direito seu”.

E assim conclui a decisão: “Observo e anota, desde já, que é de mau vezo dos postulantes o mencionar no pedido qualidades pessoais, indiferentes à solução do litígio, o fato de ser o presidente da impetrante coronel do Exército ou pertencente às forças ativas do Exército Nacional, não melhora nem piora o direito da impetrante. Apenas revela desconhecimento das altas funções do Poder Judiciário, ao qual são indiferentes as pessoas e as suas funções públicas, por mais altas que sejam”.

Em face da manifestação da Justiça, assegurando ao Tiro Brasileiro a participação em Londres, apesar de todos os obstáculos imaginados para impedí-la, não ficou rompida a tradição mantida desde Anvers (Antuérpia) em 1920, onde a nossa delegação naquela época foi chefiada pelo atual presidente da Confederação Brasileira de Tiro ao Alvo – Dr. Afrânio Antônio da Costa.

3. Participação dos atiradores nos Jogos Olímpicos

Desimpedidos pela decisão da Justiça e pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a direção técnica da CBTA promoveu seletivas e convocou os melhores atletas nacionais para participarem das eliminatórias dos Jogos Olímpicos, a serem realizados em Londres em julho de 1948.

Foram selecionados para integrarem a delegação brasileira os seguintes atiradores:

Arma longa: Antônio Martins Guimarães (DF), J.Pinto de Faria (DF) e Alberto Pereira Braga (DF), contava na época com 18 anos de idade.

Arma curta: Álvaro José dos Santos Júnior (MG), Silvino Fernandes Ferreira (DF), Oswaldo Impelizieri (MG), Pedro Simão (SP) e Alan Sobocinski (SP).

Nossos atletas tiveram boa participação nos Jogos, com resultados semelhantes aos índices técnicos alcançados durante a seletiva e nas provas dos campeonatos estaduais. Os resultados das provas disputadas pela equipe brasileira foram os seguintes:

29 a 14/ 08/ 1948 – XIV JOGOS OLÍMPICOSLONDRES – INGLATERRA

CARABINA DEITADO – 71 ATIRADORES

Categoria Senior

COL NOMES FED TOTAL

10 Arthur Cook EUA 599/ 43

20 Walter Tomsen EUA 599/ 42

30 Jonas Jonsson SUE 597/ 44

130 Antônio Martins Guimarães DF 594 (*)

280 Alberto Pereira Braga DF 589

450 J. Pinto de Faria SP 584

Obs: (*) Novo recorde brasileiro

PISTOLA LIVRE – 50 ATIRADORES

Categoria Senior

COL NOMES FED TOTAL

10 Edwin Vazquez Cam PER 545

20 Rudolf Schnyder SUI 539/ 21

30 Torsten Ullman SUE 539/ 16

280 Silvino Fernandes Ferreira DF 511

310 Álvaro José dos Santos Júnior DF 509

TIRO RÁPIDO ÀS SILHUETAS – 59 ATIRADORES

Categoria Senior

COL NOMES FED TOTAL

10 Karoly Takacs HUN 580 (NRO)

20 Carlos Henrique Diaz Saenz Valiente ARG 571

30 Sven Lundqvist SUE 569

300 Pedro Simão SP 540

340 Álvaro José dos Santos Júnior DF 527

560 Alan Sobocinski SP 490

Durante vinte e sete anos o tiro ao prato permaneceria ainda vinculado à CBCT. Somente em 1975, o Conselho Nacional de Desportos (CND) decidiu passar a direção das provas de Skeet e Fossa Olímpica para a esfera da CBTA, tendo em vista que as duas disciplinas constavam do programa dos Jogos Olímpicos.

Juntamente com essas duas modalidades, vieram o Trap e o Javali, ou seja, todo o Tiro em movimento, exceto a Fossa Universal, ficou sob a orientação da Confederação Brasileira de Caça e Tiro (CBCT). Mas, isso será um assunto para ser comentado mais tarde em outro artigo.

No próximo artigo, apresentaremos resultados dos I Jogos Pan-Americanos e a evolução do Tiro Nacional nos anos 50.
Instrutores Credenciados Wir Equipamentos Gregory Armeiro Camping & Cia Paula Carvalho - Avaliação Psicológica
Blog Tiro Olímpico Blog Primeiros Tiros
Principal  |  Estatuto  |  Disciplinar  |  Rel. Anual  |  Diretoria  |  História  |  Contato  |  Localização  |  Notícias  |  Fotos  |  Vídeos  |  Mídias  |  Colunas  |  Biblioteca
Enquetes  |  Eventos  |  Fundo do Baú  |  Publicações  |  Atletas  |  Clubes  |  Regulamentos  |  Calendário  |  Resultados  |  Campeonato  |  Recordes
Av. Colares Moreira, 444 sala 646 B - Jardim Renascença - São Luís - MA - 65075-441 (98) 3251-3535