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AO CEL. FERREIRA, GUARDIÃO DA HISTÓRIA DO TIRO ESPORTIVO E MEU AMIGO
28/04/2021
Ao meu querido amigo, Eduardo Fernandes Ferreira, falecido em 07 de março de 2021

Eu o conheci em 1998, em algum dia do começo do mês de junho, durante a III Copa Fortaleza de Tiro Esportivo. Era um iniciante no esporte, tendo dado meus primeiros disparos ainda no ano anterior, em São Luís. Esta foi a minha primeira viagem do Tiro.

Ele, Eduardo Fernandes Ferreira, era o Presidente da Federação de Tiro ao Alvo do Ceará. Coronel do Exército Brasileiro, e que na época comandava o Colégio Militar de Fortaleza. Vivíamos sob a batuta de Durval Ferreira Guimarães, presidente da Confederação Brasileira de Tiro.

O Presidente da então Federação de Tiro ao Alvo do Maranhão, era Leônidas Silva. Ele organizou e levou uma equipe de atiradores maranhenses para Fortaleza. Havia muitos anos que o Tiro do Maranhão não saía mais do Estado para competições nacionais. Foram sete atiradores nesta viagem. Leônidas Silva, Edgar Ferreira, Johnson Willis, Nagib Feres, Audrin Silva e Wissam Maalouf. Ainda tivemos o Francisco Farias(na época ainda atirava pelo Ceará).

Postos os personagens, os locais, funções e tempo, tudo começou assim.

Os detalhes das memórias deste tempo já estão um pouco dispersos, mas algumas coisas ficaram.

Me lembro claramente da recepção e alegria em nos receber, mesmo sem nos conhecer, pois estava recebendo desportistas do esporte que tanto amava, gente como ele. Sempre tinha um sorriso na face. Papo leve e gostoso. Naquele tempo ele tinha uma carabina .22 Impala, de coronha de cor escura, muito bonita, além de uma carabina .22 Anschutz para o Tiro Olímpico. Logo ele me emprestou sua Impala. Eu só tinha um Revólver Rossi Cyclops e uma Carabina Puma.38.

Ele era assim, emprestava suas armas, seus equipamentos, ficava o tempo todo incentivando e ensinado a atirar. Toda conversa tinha uma estória e uma história sobre o Tiro. Sua paixão se revelou rapidamente.
Atirei lado a lado com ele. Ainda tive essa sorte de dividir uma linha de Tiro bem ao seu lado. Naquele tempo ele ainda atirava Carabina Deitado, Carabina 3 Posições e Carabina Mira Aberta 25m. Eram seus últimos anos como esportista.

Esportista de uma longa carreira no Tiro. Iniciada ainda muito jovem, no Exército. Foi campeão e recordista brasileiro nas Forças Armadas e na então CBTA.

O período de 1998 a 2001 foi um tempo muito feliz. Era o tempo das Copas Fortaleza e dos Open Mr. Gun. Eram grandes festas do Tiro. Íamos de São Luís a Fortaleza duas vezes ao ano todos os anos. Ansiedade, expectativa, novidade, excitação, acompanhavam os preparativos antes da viagem. Ambas as provas eram maravilhosas, verdadeiras festas do Tiro realizadas pela Federação Cearense com Cel. Ferreira e pelo casal Magda e Nelvo Parise, do Mr. Gun, que se esforçavam ao máximo para oferecer aos atletas o melhor possível em termos de organização e conforto.

Foram estes eventos que inspiraram a Federação Maranhense de Tiro Esportivo a procurar fazer competições parecidas. E nestes eventos que conhecemos e fizemos amizades duradouras com nossos companheiro cearenses.

A partir destas competições em Fortaleza, o contato com Eduardo Fernandes Ferreira, ou simplesmente Cel. Ferreira, como gostava de chamá-lo, foram ficando mais estreitas e mais próximas, ao ponto de iniciarmos uma tímida amizade. As idas de delegação maranhense a Fortaleza, acabavam impreterivelmente com um jantar em sua residência, onde conheci sua família e de quem também fiquei amigo.

E foi em um destes jantares, sob sua influência e sugestão, que ele conseguiu com Durval Ferreira Guimarães, que fosse realizado em São Luís, em 1999, o I Campeonato Brasileiro de Provas Especiais, campeonato este que doravante mudaria todo o Tiro Esportivo do Maranhão, servindo de inspiração e impulso que ditaria o futuro do nosso esporte no Estado.

E Cel. Ferreira esteve por trás deste evento o tempo todo. O tempo todo ele estava em comunicação com a turma do Maranhão que estava envolvida na realização desta competição, seja orientando, seja informando, seja fiscalizando, seja animando.

Por conta disso, foi construído um estande de 25m móvel no Clube de Caça, Pesca e Tiro do Maranhão, CAPETIM, que com o 24º Batalhão de Caçadores, sediaram conjuntamente o evento.

A partir daí o caminho estava traçado e o nosso guia foi o Cel. Ferreira.

No ano seguinte, em 2000, o Maranhão já sediava uma competição nacional com as Provas ISSF, com a famosa Copa São Luís. Com ele aprendemos a montar uma competição, fazer um programa, um calendário, um congresso técnico, cerimônias de abertura e encerramento.

E Cel. Ferreira cada vez mais presente em nossas vidas esportivas. A amizade ia crescendo cada vez mais.
No fim de 2002, após algumas divergências no âmbito da Federação Cearense de Tiro Esportivo, Cel. Ferreira pede dispensa desta federação e se filia junto à Federação Maranhense de Tiro Esportivo. A partir daí um novo ciclo, rico e produtivo, começa.

A sua produção intelectual, suas pesquisas históricas, sua coleta de dados e informações, tem guarida e estímulos para florescer ainda mais na FMTE.

Foi com ele que se iniciou uma seção no site da FMTE chamada Colunas do Tiro, onde ele produziu dezenas e dezenas de artigos de toda a natureza, sempre com o tema central do Tiro Esportivo. Ele respirava, ele amava, ele vivia o tiro esportivo 24h por dia. Essa seção foi tão bem sucedida que logo outros renomados nomes ligados ao Tiro Esportivo se juntaram a ele e enriquecerem sobremaneira o site da FMTE.

O Tiro Esportivo que ganhou, pois muitos artigos técnicos, históricos, biografias, “causos”, relatos de vivência pessoal, ficariam registrados para sempre, e abertos e ofertados a todos aqueles que amam nosso esporte. Até hoje, esses artigos estão disponíveis a todos, apesar da descontinuidade da produção da seção.

Outro projeto que ele fez com a Federação Maranhense de Tiro Esportivo, foi a seção Do Fundo do Baú, onde ele através de suas pesquisas históricas, ou conhecimento próprio, relatava estórias antigas e a história sobre pessoas, eventos, curiosidades sobre o Tiro. Essa seção também foi descontinuada, mas suas riquezas continuam à disposição de todos. São 58 artigos publicados ao longo de muitos anos.

Outro projeto importante e trabalhoso que ele fez foi a Galeria de Honra. Nela, 150 nomes de atletas brasileiros de tiro esportivo que tiveram relevância em termos de resultados e representatividade para a CBTE, foram retratados e tiveram sua biografia e feitos no esporte pesquisados e publicados, sendo alçados à condição de pertencerem à Galeria de Honra. Ele a atualizava até poucos anos atrás.

Um outro grande projeto foi a parceria para a produção e confecção de um dos seus livros em conjunto com a Federação Maranhense de Tiro Esportivo. Isso ocorreu em 2008, e o livro Manual de Organização de Provas de Tiro, foi totalmente editado, financiado e produzido pela FMTE. Foram mil exemplares distribuídos no Maranhão e Brasil afora. Contemplava história, estatísticas, regras e regulamentos para a condução e organização de competições e eventos de Tiro. Este foi seu penúltimo livro publicado.

Seu último livro publicado foi uma perfeição. Veio no tempo certo e no auge do nosso esporte, em 2016, ano das Olimpíadas e da conquista da medalha de Prata por Felipe Wu. Teve o empuxo e incentivo de Durval Balen, Presidente da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, que comprou o projeto e bancou a edição, e de seus amigos Angelamaria Rosa Lachtermacher e eu.

Um livro épico. Que chegou a registrar até o feito da medalha olímpica. Livro de capa bonita e conteúdo histórico. A História do Tiro Esportivo, esse é o nome do Livro, que tem até hoje exemplares disponíveis na CBTE para quem quiser. Além disso, ele sempre estava pesquisando e era a referência para todos aqueles que buscavam alguma informação histórica sobre o Tiro Esportivo. Sempre esteve à disposição de todos aqueles que o procuraram. Sejam atiradores, seja a CBTE, seja a imprensa.

Por tudo isso eu o considerava como o Guardião da História do Tiro Esportivo Brasileiro.

Fora tudo isso, Cel Ferreira ainda tinha dezenas de outras pesquisas ou registros, como por exemplo a reunião de mais de mil resultados de competições em eventos de tiro, que ele vinha juntando há anos e que preservou muitas informações anteriores à época da internet.

Me repassou a cópia deste arquivo, assim como de toda sua coleção de livros ligados ao Tiro. Me transformando, com toda honra, em herdeiro de seu acervo.

Sempre trocávamos telefonemas, horas a fio, discutindo assuntos de nosso amado esporte, e a amizade só ia aumentando. Amizade sincera, fraternal e cúmplice. Toda vez que nos reencontrávamos era uma alegria só. Sempre acabava em uma mesa de bar ou restaurante, confraternizando em razão daquilo que nos uniu e que nos alegrava: o Tiro.

A última competição que ele participou foi em 2018, durante o 48° Torneio Norte Nordeste, realizado em São Luís-MA, onde ele veio convidado e convocado como árbitro, uma outra função no Tiro que ele exercia, atuando no estande de ar comprimido. Neste evento ele também foi homenageado na abertura e na cerimônia de premiação, em uma grande e bela festa realizada no Círculo Militar de São Luís, e que ficaria para a história.

Esteve presente em todas as Copas São Luís, da 1ª até a 12ª, participou de alguns Torneios da Amazônia, sediados em Imperatriz.

Estes são apenas alguns dos principais momentos vivenciados juntos, uma história rica, alegre e de amizade fraternal. Quantas saudades.

Wissam Maalouf




E para enriquecer ainda mais esta homenagem, deixo aqui registrado na íntegra, a mesma nota publicada pela Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, em seu site oficial, sobre o seu falecimento.

A nota abaixo foi publicada no Site da CBTE no dia 07 de março de 2021.


Faleceu hoje de complicações devido ao COVID, Eduardo Fernandes Ferreira, o Ferreirinha, como era conhecido carinhosamente entre os integrantes do Tiro Esportivo. Aos 79 anos e residindo em Fortaleza, ele deixa a esposa Elisa, companheira de muitos anos e as filhas Ana Elisa e Alice

Em 1º de dezembro de 1941 nascia no Rio de Janeiro, Eduardo Fernandes Ferreira, filho de Silvino Fernandes Ferreira, atleta habilidoso na pistola com diversos títulos nacionais e internacionais, sendo fonte de inspiração no esporte para Ferreira.
Eduardo estreou no Tiro Esportivo como atleta de Carabina representando o Fluminense, que se tornou seu clube de coração por toda a sua vida. Foi recordista e campeão brasileiro da CBTE e nas Forças Armadas por inúmeras vezes, participando de diversos eventos internacionais.

No Exército se formou em 1964 na Academia Militar das Agulhas Negras, fez diversos cursos de graduação passando pelo comando de Grupo de Artilharia, Chefe do Estado Maior da 10ª Região Militar e Comandante e Diretor do Colégio Militar de Fortaleza, se aposentando como Coronel de Artilharia.

No Tiro Esportivo atuou como dirigente sendo presidente da Federação Carioca de Tiro, Diretor de Tiro da Federação Paraibana e da Federação Gaúcha, Vice-presidente da Federação Brasiliense e da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo por dois mandatos e Presidente da Federação Cearense de Tiro. Ferreira era comprometido com o esporte e para onde quer que fosse em sua carreira militar, se apresentava às entidades locais para ajudar e logo estava à frente das atividades. Chefiou diversas delegações da CBTE no exterior na gestão de Durval Guimarães.

Nos últimos anos atuava com árbitro em eventos da CBTE e da Federação Maranhense de Tiro Esportivo que o apoiou e onde ele teve espaço para produzir diversos artigos sobre o Tiro Esportivo. Ele desenvolveu um trabalho minucioso que gerou conteúdo para seções como Fundo do Baú, que contava a história do esporte no Brasil e no Mundo, Galeria de Honra que fala em detalhe sobre a vida dos grandes campeões do tiro, Colunas de Tiro que dão sua impressão sobre os diversos acontecimentos do passado e do presente e as Fichas Técnicas, que compilam os resultados históricos dos principais atletas do Tiro Esportivo de todas as épocas.

"Ele foi para Federação Maranhense nos ensinar e nos apoiar. É o nosso padrinho no tiro! Ele se tornou um grande amigo e onde muito foi produzido por ele. Eu gosto de chamá-lo de Guardião do Tiro Esportivo porque ele realmente foi o cara que fez questão de registrar tudo e passar para frente. Ele deixa um grande legado.", confirma Wissam Maalouf, Presidente da FMTE em um depoimento emocionado.

Ferreira era sem dúvida o principal historiador brasileiro. Detentor de uma memória incrível acumulou documentos e fotos que contam a história do Tiro Esportivo, e que serviram de base para todos os seus relatos.

"Era apaixonante falar com o Ferreirinha... toda vez que eu tinha uma dúvida sobre nossa história para completarmos um trabalho, não hesitava em ligar para ele, que com seu jeito carinhoso e prestativo, me fazia mergulhar fundo em nosso passado e nas recheadas histórias de nosso esporte", confirma Mauricio Fernandes da CBTE.

Ficou também conhecido por suas grandes obras literárias sobre o Tiro. Começou com o "A Técnica do Tiro ao Alvo com Armas Longas" em 1974, seguido do "Tiro ao Alvo" em 78 e da "A História do Tiro ao Alvo" em 1986 patrocinado pela Taurus. Em 1996 lançou o "Franco-Atirador" pelo Estado-Maior do Exército seguido do "Normas para a Organização das Provas de Tiro" pela Federação Cearense que ganhou uma nova versão ampliada e melhorada em 2008 intitulada "Manual de Organização de Provas de Tiro" lançada pela Federação Maranhense. Mais recentemente em lançamento na sede da CBTE em abril de 2017 do "A História do Tiro Esportivo" que teve a edição paga pela entidade em homenagem a Ferreira por todo o seu trabalho. Na época, Durval Balen, Presidente da Confederação fez questão de discursar para os presentes que o livro deixaria marcado na história os principais acontecimentos de nosso esporte, desde a influência do Barão de Coubertin para a criação dos Jogos Olímpicos da Era Moderna até a conquista da medalha de Prata de Felipe Wu em 2016 nos Jogos do Rio de Janeiro.

Ferreira deixará uma lacuna no Tiro Esportivo, mas fica uma história de vida que influenciou muitos adeptos do esporte, e que ainda renderá muitos frutos. A CBTE se enluta e sente a perda de seu valioso membro, e faz uma moção de apoio aos familiares e amigos neste momento tão difícil para todos.

Fonte: Site da CBTE
fonte: FMTE

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